Respirei fundo e comecei a digitar... letras, palavras, frases inteiras pra poder passar o tempo. Por que é que quando mais queremos que o relógio ande rápido ele insiste em demorar? Era mais um dia normal, de um mês normal, de um ano normal e eu estava ali, sentada em frente ao computador escrevendo coisas que vinham em minha mente. De repente, a plaquinha subiu! Era o passado voltando. Jason! Pensei em frações de segundo. Sabia que as palavras que ele me dirigiria transpassariam meu coração como a lâmina fria da serra elétrica que cortava as mocinhas ao meio nos filmes de terror. Dito e feito. Éramos tão felizes tempos atrás, mas hoje... E assim começou uma conversa sem fim, que por horas parecia mais um monólogo do que um diálogo. A pior parte foi ter que ouvir as verdades que ninguém tinha coragem de me dizer. E ele me disse. Confrontar-se com o espelho pode curar feridas ou abri-las de modo mortal. Chorei feito criança ao perceber que não seria mais a mesma depois daquele dia. Ele me curou. Ele me feriu. E foi tudo tão confuso pra mim que não sabia mais se o que vinha do outro lado da tela era amor ou ódio, compaixão ou indiferença. Optei por falar. Descobri que falar ameniza as dores emocionais. Doeu. Pela primeira vez depois da era "dama-de-ferro" eu baixei a guarda. Não mais me senti um monstro. Essa mania de esconder o que se pensa, se sente com medo de se expor cria nas pessoas barreiras difíceis de se transpor. Consegui. E lá estava eu, lá estava ele. Tantos 'is' pra se por um pingo. Tantos ponteiros pra acertar. Acertamos todos. Pontuamos tudo. Fazem 10 luas cheias que isso aconteceu, desde de então eu tenho sido uma pessoa melhor. Creio que ele também. Seguimos nossas vidas, cada um o seu caminho, e o medo de plaquinhas saltitantes acabou. Pior do que uma situação mal-resolvida porque não se pode resolver, é uma que pode e não se quer por medo, receio, ou qualquer outra desculpa.
Look do dia: alfaiataria no tricot!
Há 2 semanas
